A alma do negócio

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… tome a sua cruz e siga-me… quem
quiser salvar a sua vida a perderá …
Mateus 16.24-24

Recentemente visitei um empresário que dirige um hotel e outros empreendimentos na região tibetana, todos realizados com o objetivo de alcançar pessoas de povos minoritários para o Reino do Pai. Naquele momento, havia mais de 20 pessoas morando e trabalhando junto com ele e com sua família, vindas de sete minorias diferentes, além dos estrangeiros.

Pouco tempo atrás, ele havia perdido tudo num incêndio que queimou, até ao chão, vários empreendimentos da cidade. Outros empresários demitiram seus funcionários; ele, no entanto, manteve todos os seus. Juntos começaram tudo novamente do zero. Quando o fogo queimou tudo ‒– casa, trabalho, móveis, fotos, roupas, lembranças ‒–, ele e os que estavam com ele (muitos deles haviam conhecido Jesus naquele lugar) choraram a dor de quem sofre uma profunda perda, um golpe duro no coração. Mas, quando, três meses depois, eles se tornaram os primeiros a reabrir os negócios, o Espírito os encheu de sorriso, alegria e senso de pertencimento. Eles tiveram seu lar reconstruído.

No dia que nos encontramos, ele me disse: “O que pode ser queimado pelo fogo será queimado, mas o que pode suportar o fogo irá permanecer”. Tamanha experiência dói, mas enriquece a alma, dá sentido à vida e nos torna sensíveis à presença do Pai.

Conversamos bastante tempo acerca do Reino e da forma de podermos contribuir para sua expansão quando envolvemos outras pessoas. Depois, programei apresentar esse empresário a alguns líderes locais que queriam abrir o mesmo tipo de negócio a fim de ganhar pessoas para o Filho, mas não sabiam como tomar tal iniciativa. Eu queria que ele me ajudasse a mentorear estes líderes para realmente se tornarem efetivos em suas ações.

Quando levei os primeiros líderes para apresentá-los a ele, seus principais conselhos foram: proteja sua vida/alma, não se esqueça daquilo que o trouxe até aqui. Em segundo lugar, pontuou: ponha seu foco em discipulado, forme pessoas, que o resto virá, pois “o único negócio de Deus são pessoas”. Ver­dades estas tão simples, mas constantemente negligenciadas.

Depois enviamos os Radicais1 para que passassem um mês junto com esse irmão e com os seus. Esse tempo foi muito precioso para todos. Depois disso, percebemos que os Radi­cais ficaram altamente estimulados a encontrar suas almas no que fazem e a ajudar outros na mesma procura.

Nosso irmão disse que o testemunho deles foi muito bonito, que eram realmente obedientes em tudo, servos verdadeira­mente, mas precisavam ir além da obediência. Era necessária uma entrega de vida, de alma. Às vezes, embora já nos tenha­mos convertido a Cristo, ainda não nos convertemos à Sua causa. Nossos corações precisam amar o Caminho e precisam ver que a vontade dele é realmente boa, perfeita e agradável (cf. Romanos 12:2), que dá prazer à alma e embeleza a vida.

Mas é possível perdermos esta vida, perdermos nossas almas. É claro que precisamos, em primeiro lugar, pensar na possibilidade de perder a vida ou a alma com relação à salvação, mas Jesus está referindo-se a algo mais imediato e mais profundo que isso quando diz: “Quem quiser salvar a sua vida a perderá” (Mateus 16:25). Refere-se ao fato de a nova criação começar agora e de podermos neste momento, de alguma forma, perder a nossa alma, nossa vida, o primeiro amor e andar como quem está indiferente, insensível, morto.

Isso representa o “já e o ainda não” aplicado à busca de nossa alma hoje (1Jo 3:2). Já temos a certeza da vida eterna, mas ainda não chegamos a este novo tempo e lugar onde tudo será feito novo. Portanto, temos que nos preocupar com nosso agora, pois ainda estamos no processo.

Em outras palavras: é possível que estejamos fazendo o melhor para sobreviver e chegar ao novo céu e à nova terra. Podemos até mesmo alcançar algum sucesso nisso, mas, ao mesmo tempo, é possível que estejamos perdendo a oportu­nidade de viver a nova criação agora. Corremos o risco de nos perder em meio a uma agenda que nunca foi intencionada por Deus para nós, uma agenda que nos coloca sucessivamente mais distantes do Pai e menos conscientes de Sua presença.

É muito fácil esquecermos a cruz que nos dá identidade, direção e produz maturidade em nós quando somos confron­tados com a perda ou, na situação oposta, quando o sucesso bate à nossa porta e nosso negócio frutifica. Doutra parte, o anseio de nossa alma deve ser mesmo por Deus e por Seus negócios até nos vermos trabalhando lado a lado com Ele, não somente para Ele. Aí tudo se enche de sentido novamente.

A alma do negócio é nos reencontrarmos com o Pai naquilo que fazemos, enriquecendo nosso interior e amadurecendo­-nos para a vida plena. A cruz certamente é para ser carregada, mas não é qualquer cruz; é a cruz da vocação que Ele nos deu, que nos dá prazer, leveza, direção e presença do Espírito – “e estarei com vocês até o fim dos tempos” –, que produz vida em abundância e renova nossa alma. Que assim seja!

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• Analise sua agenda. Que compromissos da próxi¬ma semana estão harmonizados com os valores que glorificam a Deus? 
• Você tem aprendido a ir além da obediência, realmente encontrando prazer em servir a Deus e ao próximo? 
• Você tem tido a convicção da presença de Deus nas coisas em que você tem-se envolvido? 
• Com que pessoas você se preocupa de forma especial acerca do relacionamento delas com Deus? Seria este o momento de se aproximar delas com uma proposta de discipulado? 



Radicais1 –  Jovens que participam de um projeto de curto prazo em missões, vivendo em equipe e, normalmente, trabalhando em contextos mais desafiadores; por isso o nome Radicais. Este projeto é da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira.

Obs.: Texto originalmente publicado no Livro “CARTAS DO CAMPO: CONVERSAS SOBRE A PRÁTICA MISSIONÁRIA” a disposição para venda em nossa loja virtual.
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